Texto de autoria de Sueli Maria Buss Fernandes, professora aposentada, residente em Ponta Grossa.
Estava eu cochilando depois do almoço, curtindo o “soninho da beleza”, como dizem os entendidos em saúde do corpo e da mente, lembrando de fatos que ocorrem na nossa amada terra chamada Ponta Grossa. Ela poderia ter-se chamado Pitangui ou Estrela mas não, tinha que ser Ponta Grossa! Pensando na vida constatei que soninho da beleza é fake. Eu pratico esse esporte desde que entrei na melhor idade. Deito e levanto mostrando ao espelho a mesma imagem. Não rejuvenesce nada, é enganação! Onde está a beleza prometida? O mesmo rosto de bolacha Maria. Aliás, bolacha também é termo só nosso: pontagrossês puro! Apesar disso não me importo, continuo desfrutando do direito que a aposentadoria me concedeu de bem viver. Morar aqui é divertido. Temos mil convites para participar de bingos com chá e comilança, para viagens de turismo religioso pelas cercanias num bate e volta animado, para visitar o quintal ou o jardim da vizinha e de lá trazer mudas de flores que ainda não temos ou não exatamente daquela cor. Programa semanal da sexta-feira é ir ao açougue do Adi comprar linguicinha e queijo de porco, fresquinhos. Tem fila enorme, mas são produtos a que os idosos estão acostumados desde que seus pais ainda viviam. Os idosos daqui é que sabem se divertir. Não calçam aqueles miseráveis saltos altos que apertam o pé sem dó, não se importam com moda, qualquer look serve desde que seja confortável e fique bem no corpo, um pouquinho de maquiagem e estão prontos. O ingresso, compram no local, pois Reserva para eles é somente mais uma cidade do Paraná. Os impostos é o filho que paga porque tem Internet, agendamento de vacina é com outra filha que tem acesso a essa tecnologia, horário de médico ou dentista os filhos controlam. No aniversário dos netos ou em algum casamento, calçam aquele bendito sapato só para entrar na festa, mas dez minutos depois estão de chinelo havaiano, dançando um sertanejo com algum parente, e o sapato abandonado embaixo da mesa. Têm credencial para usar o coletivo grátis que passa na esquina e dali desaparecem pelas lojas do calçadão, pelas novenas das igrejas e pelos bingos da cidade. Uma vez por semana tem bailinho vespertino no Sesc, no 13 de Maio, no Zucão e em vários outros locais que apoiam os idosos. Já trabalhamos muito e é hora de relaxar. Que vida boa é essa da melhor idade!