segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Carta póstuma

Texto de autoria de Lívia Kim Philipovsky Schroeder Reis, bacharel em Direito, analista judiciária da Justiça Federal do Paraná, Brasília (natural de Ponta Grossa). 

Há exatos 150 anos, deixei minha terra natal, Viena, na Áustria, rumo a um novo país, com melhores oportunidades e alheio às guerras que assolavam a Europa. Ansiava estar longe do cenário de tantos acontecimentos trágicos. Sabia que não poderia apagar a dolorosa reminiscência que insistia orbitar meu coração e mente, mas me animava a ideia de ressignificar a vida com memórias mais felizes.

Depois de passar meses em um hospital de sangue, devido a feridas contraídas na guerra, onde vi sucumbir amigos e familiares; depois de perder meu pai, que não resistiu após longo tratamento em um manicômio; e também vivenciar o passamento de minha mãe, abatida pela tuberculose quando eu tinha apenas 10 anos, minha alma clamava um recomeço.

Ouvi então falar do Brasil, onde se instalava uma incipiente, mas promissora estrutura ferroviária, que bem serviria ao meu propósito como engenheiro agrimensor. Deixei a Europa sem saber o que esperar desse novo e desconhecido país. Não tinha planos bem definidos, mas àquela altura, com pouca idade, mas muita bagagem de experiências acumuladas, senti-me aberto e liberto; apto a iniciar esse novo capítulo. O que seria feito dali em diante não competia a mim, mas às casualidades que somente a mão invisível do destino, paulatinamente, viria a revelar.

Depois de idas e vindas em ferrovias pelo Brasil, conheci a princesa. Não me refiro à compatriota, princesa Leopoldina, mas sim à princesa dos Campos Gerais, minha estimada Ponta Grossa, local onde, finalmente, pude construir um lar. O que vivi nesta cidade bem daria um livro, mas creio que um parágrafo pode resumir.

Foi aqui que conheci e casei com uma mulher que compreendeu e aceitou toda minha complexidade. Não preenchia ela o ideário de esposa frágil, calada e submissa, mas era justamente esse tipo de alma, inquieta e desafiadora, que me completava.  Foi aqui que plantei o eucalipto que até hoje adorna o bairro de Santa Terezinha e por meio do qual pude materializar o trabalho que, de minha mão brotou, em auxílio à construção dessa cidade. Por fim, foi aqui que deixei minha descendência e transmiti meu legado mais rico. Por intermédio dela, nas palavras da minha dileta Anita, pude ver no papel, a expressão da virtuosa paisagem que também eu contemplava; o sentimento que dela transcendia, que eu  também compartilhava:  “Nesta terra é assim: quando termina o dia, uma mão invisível, misteriosa, pinta onde acaba o céu, e com as tintas que quer, Pinta tudo que há de emocionante”.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

A casa

Texto de autoria de Luiz Murilo Verussa Ramalho, servidor do Ministério Público Estadual, residente em Ponta Grossa. 

A casa foi vendida a preço quase vil para uma incorporadora que pretendia arrasar o quarteirão para explorar ali um estacionamento. A crise na construção civil, a reboque da baixa das commodities e da majoração do preço do aço, trouxe o mercado para o fundo. Durante algum tempo a casa ficou como estava; depois os invasores percorreram os seus cômodos, furtaram a porta de alumínio e os gradis, puxaram a fiação, grafitaram seus codinomes nas paredes, depredaram tudo.

Mas, antes, houve vários "antes". O antes de aquela casa ser mera edificação e dormitório, o antes de ser residência e habitação de pessoas satisfeitas ou não (domicílio civil e nada mais) e inclusive o antes de ser um verdadeiro lar, embora por pouco tempo.

Esse antes específico foi o dos últimos moradores ─ um lar, sim ─, mas de repente as coisas não andaram bem. Numa época qualquer, o proprietário teve um dia feliz: a sorte fugitiva veio ao seu encontro de hora em hora, no ritmo mecânico do moto-contínuo e com a regularidade dos movimentos planetários, transformando-o e transformando o seu entorno. Com a alma banhada pela gratidão, ele voltou pela calçada pensando em tomar assento no sofá, convocar os seus, dar as boas notícias e lhes dizer: "Tudo isso também é por vocês todos". Mas quando ele cruzou o hall de entrada segurando esse pensamento com as duas mãos, um leve estremecimento na atmosfera ou deslocamento imperceptível no ar anteciparam o que em seguida ficou claro: que tudo estava desfeito, aquele lugar já não seria mais seu, que os retratos cairiam das paredes, o ciclo estava findando, o mundo conhecido se degradara.

Num raio de apenas três quilômetros dali, a administração municipal já promovera o tombamento de cinco edificações históricas ─ mas não daquela casa. Por esse motivo, a memória histórica e urbanística não preservou exatamente o que aconteceu naquele dia em especial. Certo é que algo aconteceu lá, destinos foram definidos, e depois foi como no poema de Drummond: "A casa foi vendida com todas as lembranças / todos os móveis / todos os pesadelos / todos os pecados cometidos e em vias de cometer".

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Amigos do Parque

Texto de autoria de Rosicler Antoniácomi Alves Gomes, Professora de Português e Inglês, Ponta Grossa.

Postada no Portal aRede em 15/09/2022.

No sábado, dia 13, na Vila Jamil, aconteceu o 1º Encontro dos Amigos do Parque. Amigos de amigos, que também são amigos do Parque Estadual de Vila Velha. Desnecessário identificar-se, declarando o sobrenome; ser filho, filha, irmão, irmã ou neto desse ou daquele morador é apresentação suficiente. De alguma forma, eram pessoas ligadas pelo convívio naquela vila, ou amigos: Erickson e Jacqueline, da Coruja Store; Ivan e Adriely, da IDS Sports & Presentes; Marina, Maria e Alan, da Anna’s Doces; Vilmar, dos refrigerantes; Wilson Coelho, escritor do livro A História dos Pioneiros (Vila Velha), e Roselene; Lucélia, contadora de histórias, e seus familiares Liriane, Denise, Amelu e Rosa Serena, e o genro Fabrício, que, por infeliz fatalidade, não pôde inaugurar seus pulmões de recém-nascido aspirando os ares do parque; os adolescentes Caíque, Samuel, Kauan e Samira, que conheci jogando o Jogo do Tropeiro, com Silvestre Alves;  Alessandro, da Rádio Nova FM 101.7; os organizadores do evento Adriano, Ana e Kátia; e ainda a cutia, o veado catingueiro, o bugio, a lontra, a anta, a jaguatirica, o tatu pela e outro tatu, que sendo também amigos do parque não podiam faltar, ainda que por obra da taxidermia, e apresentados ao público pela polícia ambiental – os amigos fardados; e simpáticos servidores do parque.

Aproveitando a tarde ensolarada, debaixo do sol mesmo, enquanto outros se abrigavam entre as amigas frondosas (que teriam sido plantadas no local para fazerem sombra, pois antigamente ali ficava a entrada de uma fazenda de pecuária), ouvi do escritor alguns nomes muito bem ornados com sobrenomes: de Manoel Ribas e de Domingos Ferreira Pinto, o Barão de Guaraúna, primeiros proprietários, os pioneiros do parque.

Amigos “mais antigos” e até os que já estão na dimensão etérea do parque foram homenageados, e também a professora da antiga escolinha, que pôde reunir sua turminha de primeiro ano de quase meio século atrás para uma foto. Núcleos familiares compartilhavam as alegrias pequenas dos brindes sorteados, ou as grandes, como a indizível felicidade de olharem-se nos olhos ao cantarem a Oração da Família, de Padre Zezinho, portando os balões brancos da paz e da amizade.

Alheio a esse burburinho animado, passa ao largo um jovem, num passo lento de quem despediu a pressa e abraçou a amiga folga, em busca de uma amplidão favorecida pelos ventos de agosto, bem ao seu gosto, para empinar a pipa que leva consigo, cuja rabiola dançante roçava o chão, ansiosa pelo céu do parque.



segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Bolo vulcão

Texto de autoria de Rosicler Antoniácomi Alves Gomes, Professora de Português e Inglês, Ponta Grossa.

Postada no Portal aRede em 07/09/2022.

        Hoje resolvi testar uma receita de bolo cocada, que vi no YouTube.  Bem, testar a receita não era bem a questão, eu tinha que testar a minha capacidade de chef com essa receita, pois terei que preparar uma iguaria para o arraiá do condomínio. Outra pessoa se adiantou para oferecer cachorro quente, que é justamente o que eu sei fazer... Então... cocada, bolo, arraiá... Melhor testar. Tão bonitinho aquele caramelo, no vídeo... Cor de... caramelo. O meu ficou... mais escuro. Ah, no vídeo sempre fica mais bonito. Minha massa até que ficou semelhante, embora eu tenha trocado o trigo por um combo de farinhas sem glúten. Desconfiei que a massa, embora bonitinha, pudesse estragar meu teste. Mas não. Saiu do forno com uma cara boa. “Deixe cinco minutos esfriando, não mais, para o caramelo da cocada não misturar com a massa”. Cinco minutos depois: o bolo não queria sair da forma... saiu... parte da cocada, ainda rebelada, acabou desgrudando e caindo de um modo... plaft, em cima do bolo. Tudo bem. Ficou meio calombuda aquela cobertura, mas... Epa! Os calombos resolveram escorregar do topo do bolo para fora e para dentro da cratera, como uma lava inCANdecente, que nada segurava, sem que se aderisse peRIgajosamente. Então lancei meu olhar condescendente para o meu bolo vulcão e decidi seguir as instruções do vídeo: “depois de desenformar, espere o bolo esfriar, antes de cortar”. Praticamente frio, decidi cortar, para testar a rigidez da lava. Rígida. Mas cortável, se utilizada a estratégia adequada, usando uma faca, e com FORTE pressão e rebolados cortantes. Terrivelmente doce. Mastigável por fortes mandíbulas. O gosto daquela lava-cocada me lembrou a cocada puxa-puxa que um cocadeiro vendia na saída do Regente, diretamente da fôrma em que fora preparada. Deliciosa, com pedaços grandes de coco, que eu adorava. Ele também cortava com uma espátula afiada que rebolava ao cortar. Porém, aquela cocada não vinha despencando de cima de uma massa fofinha... como a massa do meu bolo vulcão, incapaz de resistir a tamanha pressão e rebolado. Meu olhar condescendente ainda não estava a ponto de julgar o teste um perfeito desastre, apesar do rombo causado pelo corte esmigalhador: o sabor estava ótimo, nem parecia massa sem glúten, se me entendem. Esperei a hora do café para saborear meu bolo vulcão depois do resfriamento total da lava. Pense numa cocada-lava resfriada, virada numa rocha vulcânica... ao redor de uma cratera rombuda de massa fofinha...

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Recanto dos Papagaios

Texto de autoria de Mário Francisco Oberst Pavelec, técnico em agropecuária, residente em Ponta Grossa. 

Postada no Portal aRede em 31/08/2022. 

          Para quem nasceu e cresceu em Palmeira, e tinha um meio de locomoção na família, era quase uma obrigação passar os domingos de verão às margens do Rio dos Papagaios, no Recanto.

          A famosa ponte, construída nos tempos do império, que permitia a ligação do interior do estado à capital paranaense, sempre foi moldura para fotos, romances, piqueniques e muita diversão. Chegar cedo, para garantir a mesa de concreto, construída pelo DER, logo abaixo da ponte, era uma obrigação.

          Logo em frente desta, após algumas corredeiras do rio, um “poço” garantia a diversão das crianças e dos adultos, com a água sempre limpa e com uma temperatura sempre agradável, ao menos para nós, crianças; nessa piscina natural aprendi a nadar, mergulhar, prender a respiração embaixo d’água e a brincar como um pequeno peixe de rio.

          Meu pai era vegetariano, então o churrasco nunca era uma opção. Porém, o empadão de requeijão ou de palmito, os sanduíches de queijo, aquele Poronguinho, típico palmeirense, ou então os cachorros-quentes e algumas frutas, carinhosamente preparadas pela nossa mãe, eram nosso sustento do domingo. Ah, claro, não podiam faltar os refrigerantes, que nos eram permitidos com menos parcimônia neste ambiente.

          Como ele, meu pai, não sabia nadar, a diversão que lhe agradava era a pescaria. Ele subia o rio com seus caniços, linhas e minhocas, e passava horas sentado às suas margens, tentando pescar. Um ou dois lambaris, às vezes um bagrinho, eram os seus troféus.

          Explorar o recanto era também uma parte importante das aventuras domingueiras. Saíamos a andar por aquele imenso lugar, a banhar-se na piscina de água corrente, a brincar no parquinho que lá havia, que eram tubos de concreto a formar um pequeno trem, algumas gangorras que rangiam o dia todo, suas pequenas cachoeiras e corredeiras. Além disso, as românticas pontes em arco sobre as diversas passagens dos córregos afluentes, fartamente registradas nos álbuns de muitas famílias dos Campos Gerais.

          Não havia competição sonora, e o muito que escutávamos eram alguns rádios dos carros a narrar os embates futebolísticos de fim de tarde. A família toda divertia-se, comia, conversava, brincava. Quase sempre um pequeno esfolado, advindo de um escorregão nas corredeiras, era a cereja a enfeitar nossos joelhos e cotovelos.

          O retorno até Palmeira era, quase sempre, marcado pelo silêncio das crianças dormindo no banco traseiro do carro, ou pela disputa do último pedaço de empadão.

         

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Origens

Texto de autoria de Rosicler Antoniácomi Alves Gomes, Professora de Português e Inglês, Ponta Grossa.

Postada no Portal aRede em 23/08/2022. 

        Brasil, 500 anos, Ponta Grossa, 200 anos... Esquecemos os milhares de anos em que as trilhas – interação entre predadores e presas, ou que conduziam às fontes naturais de alimentos, como as florestas de araucárias – foram traçadas pela naturalidade das pisadas com pés descalços por entre florestas e cerrados, por questões de mera sobrevivência.

Entretanto, mitos e lendas indígenas, que não nasceram com o “descobrimento”, ainda pedem para integrar-se ao patrimônio folclórico, cultural, popular, das regiões de onde povos originais foram expulsos com violência e extrema crueldade, permanecendo, ainda hoje, amplamente “desconhecidos” da sociedade dominante. Falamos em Saci, Curupira, Boitatá, Iara; falamos em Gralha Azul, João-de-barro, e na Cidade de Pedra, mas não damos importância ao território, aos espíritos ancestrais, às grandes viagens míticas do povo Guarani; não sabemos da importância das “belas palavras” (mboraí poku), e da entonação a elas dada na comunicação com os ancestrais, dos quais os guaranis se entendem como descendentes sagrados. Não fazemos a mínima ideia do significado dos traços, nas pinturas do corpo do povo Kaingang, nem de sua organização social em duas metades míticas... Temos localidades, rios, morros, batizados com expressões dessas e de outras nações originais, que deixaram essa herança linguística. Desconhecemos a beleza dos mitos cosmogônicos desses povos, desconhecemos sua peregrinação para escapar às perseguições que os exterminavam ou os caçavam para os escravizar; desconhecemos sua luta atual para manterem espaços territoriais minimamente suficientes para seu modo de vida, para transmissão de sua riqueza cultural, embora nossa Constituição tenha consolidado alguns desses direitos.

          E que dizer das culturas africanas que foram esmagadas e sufocadas pelo regime da escravidão? Que, apesar de artigos constitucionais as protegerem de preconceitos, são constantemente atacadas, sob olhares complacentes da sociedade?

          Comemoramos o Folclore, em agosto, e o Dia do Indígena, em abril – nós não temos uma festa com o porte de um Halloween, para transmitirmos essas culturas; as escolas fazem adereços, pintam os rostos das crianças, e as adornam com penas – não convidamos um Kuiã, um Karaí, um Babalorixá, para transmitirem suas culturas originais nas praças, escolas e parques. Que pena!

 

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

O pombo da catedral

Texto de autoria de Sergio Batistel, formado em Letras Português/Espanhol pela UEPG, revisor de textos, Ponta Grossa.

Postada no Portal aRede em 17/08/2022. 

Passava em frente à catedral, apressado, quando o vi descer, rasante, do topo da cruz, lá no alto, direto para mim. No susto, suspendi o passo, subitamente, e o encarei. Um pombo de asas brancas com manchas avermelhadas. Ele ali ficou, me olhando com seus pequeninos olhos negros, balançando a cabecinha curiosa, que parecia reconhecer em mim um amigo, até que eu me afastasse.

No final da tarde, porém, quem foi que veio do topo da cruz, novamente em voo rasante? Pois bem, o pombo. Reconheci-o de imediato, e, desta vez, com menos pressa, parei também a observá-lo. Era o final do expediente, plena hora do rush, e havia, no entorno da igreja matriz, movimento e sons quase infernais de gente e veículos.

O pombo, porém, não parecia interessado em nada à sua volta, a não ser em mim. Olhava-me diretamente nos olhos, e comecei a ficar incomodado. Atravessei a praça, aturdido, e ainda notei, ao olhar para trás, que ele de longe me seguia, alheio também aos tantos da sua espécie, habitantes em grande número do lugar.

Naquela noite, cheguei a sonhar com o pássaro, mas um sonho trágico, em que ele se jogava do alto da cruz e se espatifava no chão, ora vejam bem, um pombo suicida. E justo eu, que já tinha pensado no ato, não do alto de uma cruz, mas do alto de minha janela mesmo...

Assim, no dia seguinte, não foi sem alguma inquietação que o procurei. Era uma manhã bonita, o sol nascia e reverberava seus raios nos vitrais coloridos da catedral, criando um efeito sublime e sinestésico: eu sentia o cheiro das cores.

Foi então que observei, caído diante da entrada da igreja, o corpinho branco da ave, as asas abertas, como se ainda quisesse voar. Espatifado, como se houvesse realmente se jogado lá de cima, igualzinho ao meu sonho.

Sem reação, me deixei ficar, a velar sua existência acabada, e só deixei a praça quando ela começou a encher de gente. Saía com lágrimas nos olhos e a imaginar o meu próprio corpo caído, jogado da minha janela, espatifado e sem vida, talvez de braços abertos, como se ainda quisesse viver.

À tarde, não havia mais sinal do corpo. Teriam as formigas, já, feito seu trabalho de coveiras, ou o pombo nunca tinha existido?

Foi o que me ocorreu, ao voltar para casa. Os vitrais da catedral brilhavam, agora, noturnos, a destacar-se no entorno boêmio. Desde então, esqueci ideias suicidas, e devo isto a esse pombo ou espírito da vida, que, ao destruir-se, me salvou de minha autodestruição.

Carta póstuma

Texto de autoria de  Lívia Kim Philipovsky Schroeder Reis , bacharel em Direito, analista judiciária da Justiça Federal do Paraná, Brasília ...