segunda-feira, 17 de julho de 2023

Uma ideia toda azul

Texto de autoria de Dalton Paulo Kossoski, auxiliar de bibliotecário e contador de histórias na Biblioteca Municipal de Ponta Grossa.

Postado no Portal CulturAção em 18/07/2023, e publicado no Jornal Página Um em 16/04/2024.

Foi o que o Alfredo, na sua despedida como gestor da Biblioteca Municipal, disse tomando como fala o título do livro da Marina Colasanti, que se vê também como título desta crônica. Que a turma deveria continuar tendo essa “ideia toda azul” a fim de encher aquele espaço de manifestações culturais e alegria. E é exatamente isso que fazemos!

Através da vidraça azul da biblioteca eu posso ver, em frente, o seu “irmão gêmeo”, o Conservatório Maestro Paulino: um prédio de mesma altura, mesma arquitetura, mesmos vidros azuis. É orgulho o que eu sinto de trabalhar na Biblioteca, não só profissional, o sentimento é pessoal também. Há quase 30 anos – no lugar onde abriga agora a praça chamada pomposa e orgulhosamente Complexo Cultural Jovanni Pedro Masini – ficava a indústria Wagner. Meu pai trabalhava na produção de compensados de madeira e outros itens para outras áreas da construção. A fábrica foi demolida, só restando em pé a alta chaminé, “tombada” (acho um sarro essa expressão...) como patrimônio histórico.        

Tal pai tal filho! Agora estou onde meu velho trabalhava. A chaminé é um sinal a recordar dos tempos áureos da cidade, com o progresso sendo levado por meio da indústria Wagner e de muitas outras fábricas do passado e do presente.       

Vício

Texto de autoria de Mário Francisco Oberst Pavelec, técnico em agropecuária, natural de Palmeira, residente em Ponta Grossa.

Postado no Portal aRede em 18/07/2023.

Tudo começou com um convite da minha professora: “experimenta, é gostoso, não dá nada...”. Meus pais apoiaram e então comecei. Como todo “vício”, a gente começa devagar. Hoje uma vez, amanhã mais um pouquinho, fica uns dias sem, bem de boa, mas chega um momento em que a situação fica crítica e nossa vida nunca mais é a mesma.

No começo foi “Pato Donald, Mickey Mouse, Tio Patinhas, Chico Bento, Turma da Mônica...” coisas leves, mas viciantes. Juntamente, começaram a aparecer alguns livros infantis, muita figura, pouca letra, mas, com o tempo, a letra começa a ficar mais pesada.

Os gibis começam a mudar, Tex, Marvels, aparecem algumas revistas “Duas Rodas, Quatro Rodas, Superinteressante, Veja (nem sempre)”. Alguns livros, meio que por obrigação da escola, como a coleção Primeiros Passos, coleções de mistérios, aventuras.

Antes, lia apenas alguns artigos das revistas, depois comecei a ler o periódico inteiro, no mês. Passei para duas semanas, uma semana, dois dias. Começa a “síndrome de abstinência”. Passo a ler absolutamente qualquer coisa. Rótulo de Shampoo, bula de remédio, receita de comida, enfim, torna-se praticamente incontrolável.

Tenho contato com os Irmãos Grimm. A situação começa a piorar. Monteiro Lobato, Machado de Assis, Camões, Saint-Exupéry, Clássicos da Literatura mundial infantojuvenil. Minha primeira experiência de um romance adulto foi “Tuareg” de Alberto Vásquez-Figueroa. Foi minha perdição. Não consegui parar mais. Foi aí que comprei uma coleção de livros de Honoré de Balzac.

A literatura fica mais pesada. Então experimentei poesia: Drummond, Cora Coralina, Mario Quintana, Manuel Bandeira, J. G. de Araújo Jorge, e por aí vai. Achei que tinha chegado ao fundo do poço. O trabalho me afasta um pouco do vício.

Mas como todo vício, quando se retoma, volta-se ao nível anterior, e as coisas só ficam mais pesadas. Dostoievski, Marx, Nietzsche, Rui Barbosa, Orwell, Cervantes, Malba Tahan, Economia, Romances, Biografias, História, Humor, perdi a conta dos gêneros e livros que li. A compra de livros, o ciúme dos empréstimos, a necessidade do cheiro de livro novo, o garimpo nos sebos, a compra pela internet.

Quando você pensa que não dá para ficar pior, acontece, tornei o que mais temia: ESCRITOR. Crônicas, contos, textos, às vezes poesia, um blog, a coautoria de um livro. As Crônicas dos Campos Gerais.

O que virá agora? Um Romance? Faculdade de Letras ou Jornalismo? Livros de Humor? Não sei onde vai parar isso tudo.

Mundo das Meninas

Texto de autoria de Rosicler Antoniácomi Alves Gomes, Professora de Português e Inglês, residente em Ponta Grossa.

Publicado no Diário dos Campos em 19/07/2023.

Escrevo hoje, dia 10 de julho de 2023, sobre a semana que passou. Nessa semana, eu tive certeza: o mundo pertence às meninas.

Naquela semana, eu assisti a um magistral concerto, no Teatro Ópera, do Coral das Meninas Cantoras, do Conservatório Maestro Paulino, regido por Eudes Jr. Stockler. O mundo pertence às meninas porque aquelas vozes angelicais, afinadíssimas, e somente elas, conseguiriam alçar ao topo do empoderamento o repertório regional de Silvestre Alves, e engrandecer as raízes princesinas, sua fauna e flora, seu folclore, sua importância sócio-econômica no Estado do Paraná e no Brasil. Elas, somente, fizeram permanecer suspensos os aplausos do farfalhar das folhas ao vento, “sustenidos” nos compassos de um trote de mula, do cantar dos pássaros, nas claves de portais das lendas.

Naquela semana, que considerei fechada com um domingo primoroso, também no palco do Teatro Ópera (embora o domingo seja o dia que inicia semana, ele é o principal dia do “final de semana”), eu assisti à Mostra de Dança Pró-Arte, na qual brilharam... quem? As meninas! Meninas de todas as idades, desde as professoras, estagiárias, bailarinas do nível avançado, intermediário, preparatório e as iniciantes. E também as quase bebês ainda. Sim, ELES também puderam participar: um bailarino promissor, alguns parceiros da dança de salão, técnicos de som e iluminação. Sem fazer contas exatas (que não são minha especialidade), posso dizer que noventa e oito por cento do espetáculo se deve a elas: as meninas. Sem falar nos camarins, plenamente farto DELAS, como auxiliares responsáveis, eficientes e empáticas. Mas vamos falar da arte: a graça, a força, a destreza, a técnica do balé, do jazz, da dança de salão, invadiram o palco, numa alegria contagiante, que inundou a plateia. Das pontas, eixos, linhas do balé clássico aos movimentos alongados e ondulados do jazz; da técnica perseguida exaustivamente nos treinos intensos das bailarinas mais experientes à espontaneidade infantil do aprendizado lúdico e gracioso das pequenas bailarinas iniciantes: um resultado elegante e ao mesmo tempo festivo da felicidade de apresentar seus talentos aos amigos e familiares.

As meninas não estão apenas nas artes, mostrando sua força na composição de um mundo mais afável para ser legado ao futuro. Elas, ponta-grossenses da mais nova geração, estão inseridas em movimentos sociais, políticos, brilham na ciência, no esporte, e também encaram atividades menos brilhantes, porque o mundo melhor pertence às meninas.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Proparoxítonas

Texto de autoria de Sueli Maria Buss Fernandes, professora aposentada, residente em Ponta Grossa.

Postado no Portal TánoTipo em 02/08/2023, e publicado no Diário dos Campos em 12/07/2023.

No finalzinho da tarde, quando começam a silenciar os ruídos da rua, o tilintar de louças e talheres na cozinha, a tranquilidade se apresenta e é nesse momento que gosto de relaxar corpo e mente.  Aconchego-me a uma rede, fecho os olhos e entrego-me à paz reinante. Inicia-se, então, o meu relaxamento, o qual, já me disseram, é um tanto esquisito. Descanso buscando na memória, aleatoriamente, somente palavras proparoxítonas, todas as que lembro. Criei esse hábito desde a infância. Morávamos numa casa de madeira rodeada de flores e verduras no lado ímpar da Rua Júlia Lopes, na tranquila Órfãs, em Ponta Grossa. Meu quarto era contíguo ao dos meus pais. Após o jantar, quando todos já estavam recolhidos, escuridão total, minha mãe e eu rompíamos o silêncio da noite. Apesar da parede que nos separava, o som de nossas vozes alcançava uma e outra e começava o jogo de palavras proparoxítonas ditas alternadamente. Nenhuma queria desistir e encontrávamos palavras do arco-da-velha para não perder aquele jogo: médico, pêssego, cólica, lágrima, dívida, hálito, matemática, abóbora, vírgula, palavras do nosso cotidiano, até que uma das duas era vencida pelo sono, a brincadeira se encerrava e ouvia-se somente o ressonar do meu pai. Leitora contumaz, minha mãe lia o que quer que fosse e, como diz o provérbio latino, “as palavras movem e o exemplo arrasta”. Através das leituras nosso vocabulário foi crescendo e já desfilavam na brincadeira vocábulos mais sofisticados, pouco usuais como sôfrego, elíptico, lânguida, píncaro, cósmico, arquétipo, artrópode, insólito, trôpego, sândalo, mármore, flâmula, plácida, uníssono, calêndula, efêmero, diagnóstico...

A mentora desta e de outras incríveis brincadeiras se foi. A casa onde vivíamos, agora vazia, foi invadida por estranhos que furtaram a fiação elétrica, tomadas e interruptores, danificando paredes e teto. Não satisfeitos, voltaram uma segunda vez e arrancaram todos os metais. Não sobrou nada intacto, tudo foi destruído por esses seres estúpidos. Ao ver aquela cena dantesca minha indignação e repulsa explodiram em proparoxítonas: vândalos, crápulas, bárbaros, toxicômanos... A casa ficou oca, quase demolida. O número 633, em bronze, também interessou aos patifes. Com as experiências vividas muitas palavras se juntaram às já dominadas e a rede não tem ciência que embala centenas de proparoxítonas que habitam em mim enquanto relaxo no finalzinho da tarde. Não é mais um jogo, é um prazeroso e relaxante vício. Quiçá esquisito.

Giovanni Rossi

Texto de autoria de Sílvia Maria Derbli Schafranski, advogada e Mestre em Ciências Sociais pela UEPG, residente em Ponta Grossa.

Postado no Portal aRede em 11/07/2023.

Palmeira é uma cidade do interior, pacata e acolhedora, que esconde muitas histórias curiosas e engraçadas.

Amanda era uma juíza do trabalho recém-chegada, cujos dias começavam muito cedo e o trabalho se estendia até muito tarde.

Em uma segunda-feira, ela olhou para o relógio e suspirou. Era seu aniversário de casamento e seu marido havia ignorado o fato. Não era a primeira vez, mas desta feita ela ficou realmente furiosa.

O relógio bateu oito horas e o meirinho começou a apregoar as partes:

- Giovanni Rossi! Giovanni Rossi! gritava pelos corredores do fórum. Na vigésima chamada ouviu-se um grito histérico oriundo da sala de audiência:

- Pode parar de chamar porque esse aí já morreu!

Amanda se descontrolou, indagando o advogado sobre o que estaria pensando ao colocar o nome de um falecido como reclamante.

Desconcertado, ele disse que o estagiário que redigiu a peça processual inaugural provavelmente colocou o endereço da parte em substituição ao seu nome.

Enraivecida, Amanda arremessou uma CLT em direção à cabeça do advogado, perguntando se ele pretendia transformar o fórum trabalhista numa anarquia.

- Não, Excelência. Aliás, a senhora é quem está faltando com o dever de urbanidade. E a propósito, mencionou, o falecido Giovanni Rossi coincidentemente foi quem transformou Palmeira em palco da única experiência anarquista na América Latina.

E continuou: tivesse implementado o anarquismo a senhora já teria perdido a função. Explicou ele que este pregava a abolição do Estado e a organização da sociedade de forma igualitária e autogerida pelos trabalhadores. Palmeira era terreno fértil, com seus imigrantes italianos e comunidades de trabalhadores que se sentiam explorados pelo sistema político vigente.

A juíza lamentou o ocorrido, desculpou-se e desmaiou. Foi levada às pressas ao hospital.

Era apenas ansiedade. E, ao acordar, ainda no hospital, foi surpreendida pelo marido que a presenteou com flores e com um livro.

A história do surto se espalhou. Sobrecarga de trabalho, insanidade mental ou o próprio marido podiam ser a causa.

Assim, Amanda percebeu a sua rotina sufocante. E os compromissos com os filhos geravam uma jornada dupla de trabalho.

Tudo foi minuciosamente colocado por ela a seu marido, que percebeu que precisava se dedicar mais à esposa, passando a fazer elogios sinceros e demonstrando mais carinho e atenção.

Contudo, cada vez que se aproxima o seu aniversário de casamento, os advogados trabalhistas ainda têm muito receio de adentrar o fórum.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

O dramaturgo inglês e as lágrimas da princesa

Texto de autoria de Wilson Czerski, militar da Aeronáutica, escritor e jornalista aposentado, natural de Ponta Grossa e residente em Curitiba.

Postado no Portal aRede em 04/07/2023.

Últimos minutos de 2019. E mais gente chegava ao Parque Ambiental. Milhares já ocupavam as calçadas e o gramado, garrafas de espumante na mão.

A passarela abarrotada. Namorados, famílias inteiras. Uma mãe com o bebê no colo, um pai com o garotinho nos ombros. Atrás, o Palladium e à frente a Estação Saudade e o futuro a partir de uma página virada, de esperanças que teimam em não morrer, novos e velhos sonhos.

Pouco antes da meia-noite, à direita, esvaziado, o parque de diversões desligou todos os brinquedos e, à esquerda, o entra-e-sai dos ônibus no terminal cessou de vez para que motoristas e cobradores também pudessem comemorar o ano-novo.

Expectativa crescente para a queima de fogos que, chegado o segundo exato, romperam os céus de Ponta Grossa, fascinantes, coloridos, ruidosos. Quando acabou e as pessoas alegremente começaram a voltar para suas casas, continuariam celebrando. Almoço especial, brindes, abraços, o otimismo de todo início de ano. Mal sabiam o que estava por vir. O destino a pregar peças. Nenhuma vidente previu a catástrofe que se abateria sobre todos.

Uma dúvida biológica shakespeariana. Um ser-não-ser vivo, genoma empacotado em uma proteína que não sobrevive sem vítimas. Vírus sinistro que deixaram ou fizeram escapar de um laboratório chinês. Que pôs de joelhos os orgulhosos, que não escolheu alvos.

E Ponta Grossa teve que assumir o seu quinhão de tragédia. As ruas vazias, tristes e silenciosas. As pessoas condenadas à prisão domiciliar. Pais mais ricos, próximos dos filhos, célula familiar fortalecida, mas apartada do corpo social. Avós sem netos, idosos reclusos, engolidos pela solidão.

Portas cerradas. Sinal de vida só nos supermercados, farmácias e postos de gasolina. Comida para os vivos, remédio para os ameaçados, ambulâncias para socorrer os contaminados e carros pretos para levar os mortos, sem tempo para a despedida.

Liberdade subtraída, especialistas em nada baixando decretos, ameaçando, proibindo. Máscaras, lockdowns, experimentos vacinais. Um olhar divino. Perguntas sem respostas. O caos e a vida suspensa. Pesadelo. E volta o dramaturgo inglês lembrando que Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia. Ou ciência.

A agonia dos hospitalizados, superlotação, gente nos corredores, heróis de branco exauridos, falta de vagas, famílias torturadas.

A espécie humana sobreviveu, mas milhares de soldados caíram no campo de batalha. E as lágrimas derramadas pela Princesa dos Campos, jamais serão esquecidas.

O cachorro do saneamento

Texto de autoria de Luiz Murilo Verussa Ramalho, servidor do Ministério Público Estadual, residente em Ponta Grossa. 

Postado no Portal CulturAção em 01/08/2023, e publicado no Diário dos Campos em 05/07/2023.

É fato comprovado pela experiência de conhecidos que atuaram no ramo: embora seja próprio de cachorros de qualquer naturalidade atacar trabalhadores que passam a pé ou de bicicleta, os cães princesinos são especialmente ferozes e não perdoam os operários semoventes (no bom sentido).

Os casos contados nessa quadra são numerosos e as vítimas descrevem um caleidoscópio narrativo que varia entre a ira completa e as mal confessadas saudades. Segundo um amigo, daqueles tempos só lhe faz falta o excelente condicionamento físico que adquiriu fugindo das matilhas que campeavam os distritos de Ponta Grossa. Privado desse estímulo, resta-lhe agora o esboço do esboço de uma vida de atleta, praticando triatlo e correndo as maratonas que a Unimed promove na cidade.

Outro indivíduo que consultei a respeito lastima muito o canino desapreço, mas pondera que tragédia alguma surpreende o trabalhador bem precavido e conhecedor das mazelas que assolam seu ofício. Por isso, quando visitava o Centro, onde morava um animal que nutria por ele especial e injustificada predileção, punha a mesma e castigada calça, pois soubera que o bicho andara padecendo forte congestão após digerir alguns fiapos da peça numa investida anterior.

Agora (referência gratuita!), tal como bem demonstrou Machado de Assis em seu A Igreja do Diabo, no meio das desgraças mais fundas e quando a devassidão se torna generalizada, resplandece o Bem que não imagináramos brotando lá.

Contou-me um servidor da Sanepar. Nesta cidade tomada por animais contrários à CLT, apareceu pelos lados do Cristo Rei o Niki, labrador de forte têmpera republicana e cuja veia nacional-desenvolvimentista não tolerava ofensa aos funcionários da Companhia de Águas.

Mal via passar um leiturista para fazer as medições nos hidrômetros, o Niki saltava e ia escoltá-lo rua abaixo, rosnando contra as ameaças e exigindo urbanidade de seus pares. Nos primeiros dias, os cães da vizinhança não fizeram caso, mas as bordoadas pedagógicas do Niki puseram todos na linha. Dali a pouco não havia lugar melhor para pegar no batente, o espírito cívico de Niki impôs na região a pax Romana; com gente trabalhando o tratamento passou a ser de “bom dia”, “pois não” e “muito obrigado”.

Com a aposentadoria do velho labrador, o ideal seria arranjar uns oitenta dele e distribuí-los por pontos estratégicos da região. Mas onde se acham outros Nikis? Lide com essa, ó, Diretoria.


Heróis não morrem, são apenas esquecidos

Texto de autoria de Reinaldo Afonso Mayer , professor Universitário aposentado, Especialista em Informática e Mestre em Educação pela UEPG, ...