segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Os últimos ipês da Biblioteca!

Texto de autoria de Carlos Mendes Fontes Neto, engenheiro civil, Ponta Grossa.

Postado no Portal aRede em 25/10/2022, publicado no Diário dos Campos em 02/11/2022, e lido na Rádio MZ FM em 05/11/2022.

Ontem os últimos ipês que ficam numa nesga de canteiro sobrevivente da Biblioteca Municipal começaram a florescer. Antes, alguns anos atrás, quando as instalações da Biblioteca e do Centro de Música ficaram prontas, haviam plantado pés de ipê em toda a frente para a rua Frederico Wagner, distribuídas na área destinada ao estacionamento de veículos. Mas só tiveram a chance de uma florada. Rapidamente foram sumindo para permitir que o espaço fosse utilizado como local de eventos. Muitas tendas, muitos feirões de veículos usados, até encontro de carros modificados com tremenda barulheira ali passaram a acontecer. Mesmo que, nos prédios ao lado, as atividades fossem voltadas à concentração e ao estudo. Sem falar da escola do outro lado da rua.

Dizem que os ipês foram mudados para o lado oposto da enorme chaminé. Chaminé que sobreviveu ao apagamento do importante ciclo industrial que ali ocorreu. Mas, se foram transplantados, também acabaram tendo um triste destino, derrubados pelos sucessivos circos que ali se instalaram. Tiveram o mesmo fim que a centenária paineira que existia ao lado da escola, do outro lado da rua.   

Agora, despontando a primavera, os ipês remanescentes parecem explodir em amarelo. Flores admiradas, ao mesmo tempo que vão pausadamente caindo, transformando a grama meio praguejada em tapete dourado. Uma falsa impressão de “noblesse oblige” de algo que ficou a desejar. Chamam a atenção, pois há muito os ipês da cidade já floresceram.  Amarelos, roxos e até o branco, mais perene que os outros, cujas flores só resistem três dias, já deixaram os galhos pelados e se encheram de folhas. Tardiamente, sem saber que a temporada é cada vez mais precoce e já passou. Talvez por não terem noção da “passagem da boiada”...

Esses ipês ainda se quedam a contemplar o Memorial dos Tropeiros, sentinela da história e do patrimônio cultural, testemunhando a indiferença com que as pessoas por ali passam...

Atrás, sobre o grande e agora totalmente cimentado pátio, alijado de qualquer possibilidade de uma mínima sombrinha benfazeja, resta apenas a aridez da função ordinária a que foi proposto: estacionar veículos. Apesar de que, às vezes, se preste a ser procurado por grupos para se encontrar, pela falta de opção de local, para jogar conversa fora. Coisas de Ponta Grossa.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Vizinhos animais

Texto de autoria de Rosicler Antoniácomi Alves Gomes, Professora de Português e Inglês, Ponta Grossa.

Postado no Portal aRede em 05/10/2022, e publicado no Diário dos Campos em 14/12/2022. 

           Há coisa que uma pandemia não altera em nada.

Na vizinhança tem um galinheiro. Desde o início da madrugada (Que horas é o início da madrugada, mesmo?) o canto desafinado do galo já interrompeu meu sono diversas vezes. Mal o dia clareou, ele já deu duas "trepadas", duas galinhas já puseram seus ovos e, pelo jeito, o cachorro invasor da outra vizinha já atacou um pintinho.

          Hein? Se eu fico futricando a vida dos vizinhos, por isso sei de tudo isso? Nah. Apenas não sou surda. Nas investidas do galo, as galinhas fazem um "griteiro" desesperado. Tudo bem que tem humanas que se manifestam de um jeito que parecem desesperadas, e nem é isso. Talvez a galinha em questão queira apenas contar vantagem, e o jeito é fazer o "griteiro" desesperado. Afinal, o que é aquilo quando elas põem os ovos? Só pode ser pra contar vantagem, também. Tem que anunciar pra todo mundo saber. Que bobagem! Não seria melhor ficar quietinha, esconder o ovo num cantinho pra depois chocar? Faz a gritaria, vem o dono do galinheiro e leva o ovo embora. Se o lagarto predador de ovos fosse esperto, também já ia saber que o prato estava servido.

O que esperar de um bicho que tem asas, mas não voa?

Se eu me incomodo de haver um galinheiro na vizinhança? Nah. Há alguns inconvenientes, moscas que aparecem na minha cozinha quando faço nega maluca, ou quando asso um churrasco, e tal. No geral, fico na minha. Nossa Princesa acrescentou muitas joias de arranha-céus à sua coroa, mas ainda existem bairros com o privilégio de uma paisagem bucólica à vista das sacadas de um condomínio.

Como passo meu dia, depois de um amanhecer desses? Bem, obrigada. Aproveito o momento em que os eventos matinais da família Galo dão lugar a um interminável có-có-có.  O galo a ciscar, chama as matronas com seus pintinhos para a degustação dos vermezinhos que se escondem debaixo das folhas secas e entre as moitas do capim. Isso dá um sono! Viro de lado, volto a dormir.

Pensou que eu ia ficar resmungando a manhã toda, ou que, sendo aposentada, para sempre em férias, vou madrugar para reclamar da vizinhança? Nem se o “coronga” tivesse derretido os meus miolos!

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Carta póstuma

Texto de autoria de Lívia Kim Philipovsky Schroeder Reis, bacharel em Direito, analista judiciária da Justiça Federal do Paraná, Brasília (natural de Ponta Grossa). 

Postado no Portal aRede em 28/09/2022, no Portal CulturAção em 08/02/2023, e publicado no Diário dos Campos em 26/10/2022.

Há exatos 150 anos, deixei minha terra natal, Viena, na Áustria, rumo a um novo país, com melhores oportunidades e alheio às guerras que assolavam a Europa. Ansiava estar longe do cenário de tantos acontecimentos trágicos. Sabia que não poderia apagar a dolorosa reminiscência que insistia orbitar meu coração e mente, mas me animava a ideia de ressignificar a vida com memórias mais felizes.

Depois de passar meses em um hospital de sangue, devido a feridas contraídas na guerra, onde vi sucumbir amigos e familiares; depois de perder meu pai, que não resistiu após longo tratamento em um manicômio; e também vivenciar o passamento de minha mãe, abatida pela tuberculose quando eu tinha apenas 10 anos, minha alma clamava um recomeço.

Ouvi então falar do Brasil, onde se instalava uma incipiente, mas promissora estrutura ferroviária, que bem serviria ao meu propósito como engenheiro agrimensor. Deixei a Europa sem saber o que esperar desse novo e desconhecido país. Não tinha planos bem definidos, mas àquela altura, com pouca idade, mas muita bagagem de experiências acumuladas, senti-me aberto e liberto; apto a iniciar esse novo capítulo. O que seria feito dali em diante não competia a mim, mas às casualidades que somente a mão invisível do destino, paulatinamente, viria a revelar.

Depois de idas e vindas em ferrovias pelo Brasil, conheci a princesa. Não me refiro à compatriota, princesa Leopoldina, mas sim à princesa dos Campos Gerais, minha estimada Ponta Grossa, local onde, finalmente, pude construir um lar. O que vivi nesta cidade bem daria um livro, mas creio que um parágrafo pode resumir.

Foi aqui que conheci e casei com uma mulher que compreendeu e aceitou toda minha complexidade. Não preenchia ela o ideário de esposa frágil, calada e submissa, mas era justamente esse tipo de alma, inquieta e desafiadora, que me completava.  Foi aqui que plantei o eucalipto que até hoje adorna o bairro de Santa Terezinha e por meio do qual pude materializar o trabalho que, de minha mão brotou, em auxílio à construção dessa cidade. Por fim, foi aqui que deixei minha descendência e transmiti meu legado mais rico. Por intermédio dela, nas palavras da minha dileta Anita, pude ver no papel, a expressão da virtuosa paisagem que também eu contemplava; o sentimento que dela transcendia, que eu  também compartilhava:  “Nesta terra é assim: quando termina o dia, uma mão invisível, misteriosa, pinta onde acaba o céu, e com as tintas que quer, Pinta tudo que há de emocionante”.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

A casa

Texto de autoria de Luiz Murilo Verussa Ramalho, servidor do Ministério Público Estadual, residente em Ponta Grossa. 

Postado no Portal aRede em 21/09/2022 e publicado no Diário dos Campos em 08/11/2022.

A casa foi vendida a preço quase vil para uma incorporadora que pretendia arrasar o quarteirão para explorar ali um estacionamento. A crise na construção civil, a reboque da baixa das commodities e da majoração do preço do aço, trouxe o mercado para o fundo. Durante algum tempo a casa ficou como estava; depois os invasores percorreram os seus cômodos, furtaram a porta de alumínio e os gradis, puxaram a fiação, grafitaram seus codinomes nas paredes, depredaram tudo.

Mas, antes, houve vários "antes". O antes de aquela casa ser mera edificação e dormitório, o antes de ser residência e habitação de pessoas satisfeitas ou não (domicílio civil e nada mais) e inclusive o antes de ser um verdadeiro lar, embora por pouco tempo.

Esse antes específico foi o dos últimos moradores ─ um lar, sim ─, mas de repente as coisas não andaram bem. Numa época qualquer, o proprietário teve um dia feliz: a sorte fugitiva veio ao seu encontro de hora em hora, no ritmo mecânico do moto-contínuo e com a regularidade dos movimentos planetários, transformando-o e transformando o seu entorno. Com a alma banhada pela gratidão, ele voltou pela calçada pensando em tomar assento no sofá, convocar os seus, dar as boas notícias e lhes dizer: "Tudo isso também é por vocês todos". Mas quando ele cruzou o hall de entrada segurando esse pensamento com as duas mãos, um leve estremecimento na atmosfera ou deslocamento imperceptível no ar anteciparam o que em seguida ficou claro: que tudo estava desfeito, aquele lugar já não seria mais seu, que os retratos cairiam das paredes, o ciclo estava findando, o mundo conhecido se degradara.

Num raio de apenas três quilômetros dali, a administração municipal já promovera o tombamento de cinco edificações históricas ─ mas não daquela casa. Por esse motivo, a memória histórica e urbanística não preservou exatamente o que aconteceu naquele dia em especial. Certo é que algo aconteceu lá, destinos foram definidos, e depois foi como no poema de Drummond: "A casa foi vendida com todas as lembranças / todos os móveis / todos os pesadelos / todos os pecados cometidos e em vias de cometer".

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Amigos do Parque

Texto de autoria de Rosicler Antoniácomi Alves Gomes, Professora de Português e Inglês, Ponta Grossa.

Postado no Portal aRede em 15/09/2022.

No sábado, dia 13, na Vila Jamil, aconteceu o 1º Encontro dos Amigos do Parque. Amigos de amigos, que também são amigos do Parque Estadual de Vila Velha. Desnecessário identificar-se, declarando o sobrenome; ser filho, filha, irmão, irmã ou neto desse ou daquele morador é apresentação suficiente. De alguma forma, eram pessoas ligadas pelo convívio naquela vila, ou amigos: Erickson e Jacqueline, da Coruja Store; Ivan e Adriely, da IDS Sports & Presentes; Marina, Maria e Alan, da Anna’s Doces; Vilmar, dos refrigerantes; Wilson Coelho, escritor do livro A História dos Pioneiros (Vila Velha), e Roselene; Lucélia, contadora de histórias, e seus familiares Liriane, Denise, Amelu e Rosa Serena, e o genro Fabrício, que, por infeliz fatalidade, não pôde inaugurar seus pulmões de recém-nascido aspirando os ares do parque; os adolescentes Caíque, Samuel, Kauan e Samira, que conheci jogando o Jogo do Tropeiro, com Silvestre Alves;  Alessandro, da Rádio Nova FM 101.7; os organizadores do evento Adriano, Ana e Kátia; e ainda a cutia, o veado catingueiro, o bugio, a lontra, a anta, a jaguatirica, o tatu pela e outro tatu, que sendo também amigos do parque não podiam faltar, ainda que por obra da taxidermia, e apresentados ao público pela polícia ambiental – os amigos fardados; e simpáticos servidores do parque.

Aproveitando a tarde ensolarada, debaixo do sol mesmo, enquanto outros se abrigavam entre as amigas frondosas (que teriam sido plantadas no local para fazerem sombra, pois antigamente ali ficava a entrada de uma fazenda de pecuária), ouvi do escritor alguns nomes muito bem ornados com sobrenomes: de Manoel Ribas e de Domingos Ferreira Pinto, o Barão de Guaraúna, primeiros proprietários, os pioneiros do parque.

Amigos “mais antigos” e até os que já estão na dimensão etérea do parque foram homenageados, e também a professora da antiga escolinha, que pôde reunir sua turminha de primeiro ano de quase meio século atrás para uma foto. Núcleos familiares compartilhavam as alegrias pequenas dos brindes sorteados, ou as grandes, como a indizível felicidade de olharem-se nos olhos ao cantarem a Oração da Família, de Padre Zezinho, portando os balões brancos da paz e da amizade.

Alheio a esse burburinho animado, passa ao largo um jovem, num passo lento de quem despediu a pressa e abraçou a amiga folga, em busca de uma amplidão favorecida pelos ventos de agosto, bem ao seu gosto, para empinar a pipa que leva consigo, cuja rabiola dançante roçava o chão, ansiosa pelo céu do parque.



segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Bolo vulcão

Texto de autoria de Rosicler Antoniácomi Alves Gomes, Professora de Português e Inglês, Ponta Grossa.

Postado no Portal aRede em 07/09/2022, e no Portal CulturAção em 21/11/2022.

        Hoje resolvi testar uma receita de bolo cocada, que vi no YouTube.  Bem, testar a receita não era bem a questão, eu tinha que testar a minha capacidade de chef com essa receita, pois terei que preparar uma iguaria para o arraiá do condomínio. Outra pessoa se adiantou para oferecer cachorro quente, que é justamente o que eu sei fazer... Então... cocada, bolo, arraiá... Melhor testar. Tão bonitinho aquele caramelo, no vídeo... Cor de... caramelo. O meu ficou... mais escuro. Ah, no vídeo sempre fica mais bonito. Minha massa até que ficou semelhante, embora eu tenha trocado o trigo por um combo de farinhas sem glúten. Desconfiei que a massa, embora bonitinha, pudesse estragar meu teste. Mas não. Saiu do forno com uma cara boa. “Deixe cinco minutos esfriando, não mais, para o caramelo da cocada não misturar com a massa”. Cinco minutos depois: o bolo não queria sair da forma... saiu... parte da cocada, ainda rebelada, acabou desgrudando e caindo de um modo... plaft, em cima do bolo. Tudo bem. Ficou meio calombuda aquela cobertura, mas... Epa! Os calombos resolveram escorregar do topo do bolo para fora e para dentro da cratera, como uma lava inCANdecente, que nada segurava, sem que se aderisse peRIgajosamente. Então lancei meu olhar condescendente para o meu bolo vulcão e decidi seguir as instruções do vídeo: “depois de desenformar, espere o bolo esfriar, antes de cortar”. Praticamente frio, decidi cortar, para testar a rigidez da lava. Rígida. Mas cortável, se utilizada a estratégia adequada, usando uma faca, e com FORTE pressão e rebolados cortantes. Terrivelmente doce. Mastigável por fortes mandíbulas. O gosto daquela lava-cocada me lembrou a cocada puxa-puxa que um cocadeiro vendia na saída do Regente, diretamente da fôrma em que fora preparada. Deliciosa, com pedaços grandes de coco, que eu adorava. Ele também cortava com uma espátula afiada que rebolava ao cortar. Porém, aquela cocada não vinha despencando de cima de uma massa fofinha... como a massa do meu bolo vulcão, incapaz de resistir a tamanha pressão e rebolado. Meu olhar condescendente ainda não estava a ponto de julgar o teste um perfeito desastre, apesar do rombo causado pelo corte esmigalhador: o sabor estava ótimo, nem parecia massa sem glúten, se me entendem. Esperei a hora do café para saborear meu bolo vulcão depois do resfriamento total da lava. Pense numa cocada-lava resfriada, virada numa rocha vulcânica... ao redor de uma cratera rombuda de massa fofinha...

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Recanto dos Papagaios

Texto de autoria de Mário Francisco Oberst Pavelec, técnico em agropecuária, residente em Ponta Grossa. 

Postado no Portal aRede em 31/08/2022, no Blog Mareli Martins em 03/09/2022, e publicado no Diário dos Campos em 01/02/2023.

          Para quem nasceu e cresceu em Palmeira, e tinha um meio de locomoção na família, era quase uma obrigação passar os domingos de verão às margens do Rio dos Papagaios, no Recanto.

          A famosa ponte, construída nos tempos do império, que permitia a ligação do interior do estado à capital paranaense, sempre foi moldura para fotos, romances, piqueniques e muita diversão. Chegar cedo, para garantir a mesa de concreto, construída pelo DER, logo abaixo da ponte, era uma obrigação.

          Logo em frente desta, após algumas corredeiras do rio, um “poço” garantia a diversão das crianças e dos adultos, com a água sempre limpa e com uma temperatura sempre agradável, ao menos para nós, crianças; nessa piscina natural aprendi a nadar, mergulhar, prender a respiração embaixo d’água e a brincar como um pequeno peixe de rio.

          Meu pai era vegetariano, então o churrasco nunca era uma opção. Porém, o empadão de requeijão ou de palmito, os sanduíches de queijo, aquele Poronguinho, típico palmeirense, ou então os cachorros-quentes e algumas frutas, carinhosamente preparadas pela nossa mãe, eram nosso sustento do domingo. Ah, claro, não podiam faltar os refrigerantes, que nos eram permitidos com menos parcimônia neste ambiente.

          Como ele, meu pai, não sabia nadar, a diversão que lhe agradava era a pescaria. Ele subia o rio com seus caniços, linhas e minhocas, e passava horas sentado às suas margens, tentando pescar. Um ou dois lambaris, às vezes um bagrinho, eram os seus troféus.

          Explorar o recanto era também uma parte importante das aventuras domingueiras. Saíamos a andar por aquele imenso lugar, a banhar-se na piscina de água corrente, a brincar no parquinho que lá havia, que eram tubos de concreto a formar um pequeno trem, algumas gangorras que rangiam o dia todo, suas pequenas cachoeiras e corredeiras. Além disso, as românticas pontes em arco sobre as diversas passagens dos córregos afluentes, fartamente registradas nos álbuns de muitas famílias dos Campos Gerais.

          Não havia competição sonora, e o muito que escutávamos eram alguns rádios dos carros a narrar os embates futebolísticos de fim de tarde. A família toda divertia-se, comia, conversava, brincava. Quase sempre um pequeno esfolado, advindo de um escorregão nas corredeiras, era a cereja a enfeitar nossos joelhos e cotovelos.

          O retorno até Palmeira era, quase sempre, marcado pelo silêncio das crianças dormindo no banco traseiro do carro, ou pela disputa do último pedaço de empadão.

         

Heróis não morrem, são apenas esquecidos

Texto de autoria de Reinaldo Afonso Mayer , professor Universitário aposentado, Especialista em Informática e Mestre em Educação pela UEPG, ...