segunda-feira, 1 de maio de 2023

Poeta cego

Texto de autoria de Antonio Marques de Castro, Agente Administrativo da Prefeitura de Telêmaco Borba.

Postado no Portal aRede em 09/05/2023, no Portal CulturAção em 27/06/2023, e publicado no Diário dos Campos em 31/05/2023.

Dia desses, estava fazendo o percurso entre duas cidades aqui da minha região. Junto comigo ia um colega cego. Totalmente desprovido de visão. Mas, apaixonado pelos Campos Gerais do Paraná assim como eu – Que apreciava toda a beleza daquela “visão”.

De um dado momento em diante, meu amigo começou a relatar partes daquela linda paisagem.

Descrevia com particularidades a imponência daqueles campos, de suas grotas, vales, serras e morros, pelos quais apaixonado morrerei, e, escrevendo, descrevê-los não saberei.

Relatava as belas fazendas à beira das estradas. Me fazia vir a mente vaquinhas, arvoredos, galinhas, pássaros e toda aquela bicharada.

Seus relatos tinham algo poético, me fazendo viajar junto com suas lembranças. Além da viagem que fazíamos, essa era mais uma “viagem”. Uma poética e nostálgica “viagem”!

Guardo na lembrança e imagino que me será inesquecível a forma como aquele cego descreveu a árvore símbolo do Paraná. Indescritível! A araucária mais frondosa ele me fez “visualizar”.

Lembrança do tempo em que o mesmo ainda conseguia enxergar.

As imagens que relatava hoje não mais existem, estão praticamente todas modificadas. Ficaram as lembranças. Mas a poesia de seus relatos me fazia vislumbrar a época de minha infância.

Então passei a visualizar as paisagens dos tempos de outrora. Graças ao amigo cego – Um cego poeta.

E assim, nesse “processo”, percebi que havia um poeta cegado em mim. Que existe um poeta cego em cada um de nós. Que viaja junto com a gente por aí, e nós, às vezes, é que deixamos de o alimentar, de liberar essas memórias, de “reviver” saudosamente nossas histórias.

E assim, para finalizar, gostaria de um convite deixar: Libertemos o poeta que existe dentro de cada um de nós – Não o ceguemos.

Nas trilhas da fé

Texto de autoria de Maurício Chizini Barreto, servidor público municipal de Tibagi, natural de Ponta Grossa, residente em Tibagi. 

Postado no Portal CulturAção em 02/05/2023 e no Portal aRede em 27/06/2023.

Quando os sertões do estado do Paraná eram povoados por milhares de garimpeiros, aventureiros, bandeirantes, jagunços, paulistas, negros e indígenas; travaram-se batalhas e disputas por terras, cada passo a dentro nos sertões era acompanhado por conflitos e embates que deixavam centenas de mortos e feridos. Época em que Paraná e Santa Catarina travavam a Guerra do Contestado, nos anos de 1912 a 1914, na busca pela definição de seus limites territoriais. O imenso território tibagiano contou com a presença dos religiosos João Maria de Jesus, Frei Manoel de Tibagi e Frei Bento Rodrigues de Santo Ângelo, esse último foi morador da localidade de São Domingos de Tibagi, o qual fazia parte dos Carmelitas Descalços. E assim, os peregrinos percorreram a região benzendo e distribuindo preparados que curavam diversas enfermidades. O monge hoje conhecido por São João de Maria de Jesus, que tem como nome de batismo Atanas Marcaf, percorreu a região do Paraná e Santa Catarina, entre os anos de 1886 a 1908, e tinha por costume benzer nascentes de água, visitadas na atualidade por milhares de fiéis os quais encontram nesses olhos d'água a cura para diversos males. Já Frei Manoel, conhecido por monge de Tibagi, viveu e curou diversas pessoas que o procuravam, contava ser de Vila Nova de Gaia, Portugal, e que tinha uma missão para cumprir em Tibagi. Deixou uma carta, em forma de cruz, chamada “Carta Aviso”, há uma cópia exposta no Museu da cidade de Tibagi. No dia 18 de julho de 1892, faleceu Frei Manoel, sendo sepultado no cemitério da cidade de Tibagi, e seu túmulo é frequentado até os tempos atuais, por diversas pessoas que vêm em busca de alento ou para agradecer os pedidos atendidos. A chamada cultura popular salvava vidas nos sertões de Tibagi, numa época em que médicos e religiosos, não vistos com frequência, eram, por vezes, substituídos por peregrinos, que surgiam e desapareciam. Suas histórias ficaram registradas nos relatos e memórias dos habitantes dos pequenos povoados que originaram vários municípios do estado do Paraná. Dada a importância do Monge São João de Maria, foi sancionada a Lei 318 do ano de 2018, instituindo o Dia Estadual do Monge João Maria a ser comemorado em 27 de março.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

A hora do Angelus

Texto de autoria de Ludo Santos, jornalista e bancário aposentado, natural de Ponta Grossa, residente em Curitiba.

Postado no Portal aRede em 25/04/2023, no Portal CulturAção em 30/05/2023, publicado no Diário dos Campos em 27/06/2023 e, no Jornal Página Um em 29/03/2024.

(à minha mãe)

Mudei para um antigo bairro curitibano onde ainda há apito de sorveteiro e de trem. Como o moleque do picolé ganha a vida à luz do dia, seus silvos não me incomodam nem um pouco. Com a passagem do trem é diferente: o apito noturno grave no cruzamento, o atrito nos trilhos, o bufar do motor da locomotiva, às vezes me despertam de sonhos, pesadelos, fugas.

Cada vez que acordo com a buzina disparada pelo maquinista, me assusto e sou levado a noites de minha infância vivida num bairro riscado por uma linha férrea, em Ponta Grossa. Naquelas noites, cheio de medo e de fantasmas, aos prantos procurava os braços de minha mãe que então me acalmava passando a mão nos meus cabelos, num carinho de lã, e cantarolava cantigas italianas que ajudavam a espantar os sons vindos dos dormentes.

Confesso que um repicar de sinos ao entardecer também me desconcerta. Traz à memória um crepúsculo longínquo no bairro de Olarias e a igrejinha de madeira donde soavam rígidas badaladas anunciando a hora do Angelus. Logo depois, de um velho rádio cresciam os primeiros acordes da sublime Ave Maria de Schubert e em seguida, diante de um quadro da Virgem com o bambino, ouvíamos num silêncio secular o locutor desfiar o belo Magnificat de Lucas. Uma melancolia baixava em nossos corações e então agradecíamos o pão de cada dia e orávamos pedindo as benções do Senhor.

Havia dias que saíamos em procissão pelas ruas do bairro rezando, recitando cânticos e acendendo repetidas vezes as velas que o vento insistia em apagar durante o nosso périplo santo.

Todas essas lembranças são como as velas que carregávamos. O vento, o tempo, tentam apagar, mas vem uma mão, uma recordação de menino e acendem a vela, iluminam a memória e tudo fica escuro e nítido como naquelas noites.

Conheço a história de duas pessoas que pediram aos amigos que lhes tocassem Jesus Alegria dos Homens na hora da morte. Não sei se lhes fizeram a vontade. Rubem Braga sonhou com os sons dos carrilhões de um velho relógio de parede que marcou as horas da vida e morte de seus pais.  De minha parte, um lento dobrar de sino anunciando a hora do Angelus, tendo a Ave Maria de Schubert como fundo musical, seria perfeito. E que no derradeiro instante eu sentisse as sagradas mãos de minha mãe me acariciando os cabelos e ouvisse sua voz num último acalanto. E então poderia ecoar qualquer barulho de trem, apito de locomotiva, que pela primeira vez eu não teria medo. E assim, depois de muitos anos, me sentiria grande, tamanho de menino e, finalmente, fecharia os olhos e adormeceria feliz para sempre.


segunda-feira, 17 de abril de 2023

Breves lembranças itinerantes

Texto de autoria de Wilson Czerski, militar da Aeronáutica, escritor e jornalista aposentado, natural de Ponta Grossa e residente em Curitiba.

Postado no Portal aRede em 18/04/2023 e no Portal TánoTipo em 20/06/2023.

       Sabemos que a memória é seletiva e armazena por mais tempo os registros envoltos em maior carga emocional. Uma década e meia basta para compor um mosaico caótico, talvez, porém, entalhado no fundo da alma.

       Tudo começou nas esquinas da Rua Júlia Lopes com a Rio Grande do Norte, pelos cinco anos. De lá ficaram uma bicicleta azul de três rodas, a novidade de um copo de leite com chocolate gelado da casa da vizinha e o único Papai Noel da vida trazendo um “fenemê” em madeira de um metro de comprimento.

       Cesário Alvim, Olarias. Muito a dizer. Ou calar. Exumação de cadáveres. Melhor não tocá-los. Recordações amenas? Luz de lampião devido aos frequentes cortes de energia. Não por relaxo, mas pelo bolso paterno vazio. Quintal grande a espera da enxada para amenizar a carência: mandioca, milho, verduras, um pé de limão e outro de mimosa.

       Dois quilômetros e meio para ir e outros tantos para a volta do colégio. Às vezes, o gelo trincando sob a sola gasta. A Ave-Maria tocada na hora do Ângelus na pequena São Judas Tadeu e o aperto no coração. O fogão a lenha que queimava cavaco que era armazenado no porão onde dormia um enorme gato preto, morador da vizinhança, que numa noite escura voou assustado no peito do moleque apavorado.

Grande nojo pelas lesmas ‘pescadas’ no balde da água de poço. E os vizinhos? Ah, os vizinhos! Como podemos ser difíceis!

Um oásis na Barão de Capanema, casa da tia. Um rádio Semp na prateleira da salinha e uma menina na mesma rua com muitos olhares e nenhuma conversa.

Daqui para lá e de lá para cá. Até uma fazenda em Teixeira Soares. Diziam “Maiado”, decerto corruptela da cor de um boi. Som distante de fogos na virada de ano. Solidão. Frustração. Semana seguinte a fuga. Enchente no Rio Guaraúna cobrindo a ponte. Solução: quilômetros pelo pasto até o trem.

De volta ao São José, Rua Bahia. Outra tia, casa alugada. Preparando para bater asas para longe. Turbulências. Esperanças. Aos 16, serviço braçal.

Depois disso, só nas férias. Na Dal Col, muito barro nos sapatos até chegar ao ponto de ônibus. A sétima parada, próxima ao Hospital Vicentino. Na oitava, o Parque Nossa Senhora das Graças e muita coisa ali. A crise da primeira paixão, as corridas até o Canal 7. Nas tardes de verão o temporal armando pelos lados do Rio Pitangui. E teve uma décima na Rodovia do Café, sustento da casa tirado de um posto de gasolina.

Muito agito em tão pouco tempo. Meio século depois, visitas e até turismo. Da última vez, o Lago de Olarias e um futebol no Germano Krüger.

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Cine Inajá

Texto de autoria de Mário Francisco Oberst Pavelec, técnico em agropecuária, residente em Ponta Grossa.

Postado no Portal aRede em 11/04/2023, e publicado no Diário dos Campos em 07/06/2023.

          De todas as vezes que fui ao cinema em minha vida, a que mais me marcou foi para assistir ao filme Contatos imediatos de terceiro grau.

          Eu tinha cerca de 10 anos na época, e não sei se foi pela emoção de, pela primeira vez, assistir a um filme adulto, ou por estar na companhia de meu pai, ou pelos dois motivos, mas as recordações ainda me são vívidas.

          Começa pelo local, o famoso e inigualável Cine Inajá. No centro de Ponta Grossa, era um local quase mítico, pois cinema não era uma diversão corriqueira. Suas poltronas confortáveis, vermelhas, em courvin, aquela iluminação com a intensidade característica das salas de projeção, o palco e aquele enorme e mágico telão branco, onde os sonhos e as realidades eram mostrados. Pipoca.

          Os momentos que antecediam o início da projeção eram marcados por um característico som e as luzes apagando lentamente. Canal 100. Notícias do Governo, as imagens dos atletas de futebol, em branco e preto ainda, alguns trailers de próximos filmes, então o momento esperado.

          Todas aquelas cenas, os atores, brilhando aos olhos do pequeno Mário, ainda a sensação de proteção que seu pai lhe proporcionava nos momentos mais tensos da exibição, ficaram impressos em minhas memórias. O som da música e das cenas, a alternância de cores, dias e noites passando rápida e intensamente em minha frente, criando a sensação de fazer parte da história.

          Creio que não somente eu, mas todos que assistiram ao filme, principalmente no cinema, não conseguem esquecer aquela música tocada pela nave extraterrestre (ré, mi, dó, dó, sol...), e repetida pelos cientistas, sobre a icônica montanha, vinda de todos os lados dentro do Inajá. Emocionante, mágico, verdadeiramente um contato muito intenso, muito vivo.

          Devo ter apertado inúmeras vezes as mãos de meu pai naquela noite. Sobem os créditos, a luz vagarosamente retoma sua intensidade inicial, e as pessoas lentamente levantam-se e começam a sair. Também nos levantamos e saímos. Vagarosamente nos dirigimos à saída, alguns cartazes de filmes anunciam as próximas atrações, mas suspeito que nenhum destes possa equiparar ao então assistido.

        Descemos alguns metros pela XV de Novembro, subimos no Opala amarelo e voltamos para casa. Amanhã tem aula e meu pai volta para Palmeira, para trabalhar. Mas os ETs nunca mais me abandonaram. Nem as emoções que me proporcionaram. Nem o cheiro do CINE INAJÁ. 

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Minha primeira bicicleta

Texto de autoria de Yonara Cheres, professora de Educação Física, natural de Reserva, residente em Ponta Grossa.

Postado no Portal aRede em 04/04/2023, no Portal TánoTipo em 15/06/2023, e publicado no Diário dos Campos em 17/05/2023.

Minha primeira bicicleta, eu ainda a tenho em casa. Está toda enferrujada, com as marcas do tempo, porque, quando a ganhei, já era de segunda mão. E de uma segunda mão extremamente operária. Daquelas mãos que te servem e você nem as vê.

Se eu exagerava e brincava por muito tempo, caía a correia, ou arrebentava. Aí eu ficava dias de castigo, sem poder colocar meus pezinhos naquele pedal grande; então, para me distrair, passava horas na frente da casa, olhando os operários que construíam o asfalto que ia da minha cidade, Reserva, até Cândido de Abreu. De longe, sempre ficava pensando na hora que, por estradas imaginárias, poderia voltar a praticar exercícios físicos na minha bichinha — mesmo sem ter consciência de que eram exercícios físicos. A especialista em mecânica de bicicletas era a vó Lena, mas ela geralmente se chateava, quando precisava arrumar o brinquedo, porque isso atrapalhava seus planos do dia: como morávamos no Bairro de Lourdes, a vó tinha que ir “pra cidade” para comprar outra correia. Consertada a bicicleta, eu corria para pedalar com toda a força de minha infância; como os freios quase nunca funcionavam, o capotamento era certo. E eu acabava apertando ou luxando os dedos dos pés ou das mãos.

O barulho do ferro era ensurdecedor, desde parte da manhã até a noite; e o óleo passado nas peças muitas vezes sujava minhas roupas já batidinhas. A bronca vinha, mas, mesmo com ela, eu sentia as mãos enrugadas e calorosas na minha cabeça, um carinho guardado até hoje no fundo do coração.

Apenas anos depois, já adulta, soube que meu brinquedo favorito era muito antigo. E que a vó Lena havia comprado a bicicleta de uma senhora polonesa, pagando com uma carroça velha. Vó Lena fizera uma troca justa, ela não precisava da carroça, nem tinha mais cavalos, e a “Polaca” — como era chamada carinhosamente a senhora — não sabia andar no “trem” do brinquedo.

Vó Lena também andava na bicicleta, era uma disputa em que eu corria para sentar, e ela sentava para correr. Eu ganhava o mundo, o meu mundo dos sonhos; e ela conquistava o seu mundo real, um mundo onde tudo cobra seu preço, sempre com o brinquedo rangendo ferros para nós duas.

Hoje aposentada, mesmo funcionando, a minha máquina Pfaff 30, da cidade de Kaiserslautern, fabricada no início do século XX, guarda ainda o cheiro gostoso da vó Lena, o barulho do trabalho da vó Lena e os fios bem trançados das costuras da “Dona Negrinha”, como a conheciam suas clientes.

segunda-feira, 27 de março de 2023

Vamos pegar a estrada?

Texto de autoria de Mário Francisco Oberst Pavelec, técnico em agropecuária, residente em Ponta Grossa. 

Postado no Portal aRede em 28/03/2023, e no Portal CulturAção em 23/05/2023.

No final dos anos 1970 e início dos anos 1980, a rodovia PR 151, entre Palmeira e Ponta Grossa, recebeu a pavimentação e tornou-se uma artéria de grande valor, não só para os Campos Gerais, como também para o Paraná e para o Brasil.

          Lembro-me que essa pavimentação não ocorreu em uma única etapa. Começaram pavimentando até a ponte do Rio Tibagi, para que o Aeroporto Sant’Ana pudesse ser acessado com mais facilidade. Depois a pavimentação foi até a ponte do Rio Caniú, na divisa entre Palmeira e Ponta Grossa. Somente depois de consolidados esses trechos, o asfalto chegou até Palmeira.

          Logo após o Colégio Agrícola de Palmeira, arraigado às margens da rodovia desde os tempos de Getúlio Vargas, o Benfica (nome muito sugestivo) surge humilde com sua Capela do Divino Espírito Santo, juntamente com suas casas e seu ar bucólico, delicioso e relaxante. Para quem não sabe, pouco antes do Lago, podemos descer até o vale do Rio Tibagi, onde, bem próximo à linha do trem, os pesqueiros são bem visitados.

          O Lago se tornou famoso no Brasil, pois é um Lago que não tem lago. A comunidade, em sua maioria poloneses, mas com muitos alemães e alguns japoneses, é pujante e toma um tempo delicioso na passagem pelo seu meio. A Igreja da Nossa Senhora do Lago é um patrimônio arquitetônico que merece uma atenção especial. Descemos até o Rio Caniú, e estamos no município de Ponta Grossa.

          Na subida, à direita, temos o acesso à Comunidade do Santa Cruz, a colônia dos Russos. Confesso que poucas vezes fui até lá, e poucos contatos com os russos eu tive, mas muitas histórias me foram contadas. Em outra crônica, talvez traga algumas.

          Um dos locais mais emblemáticos nesse caminho é a Colônia Sutil. Composta de Quilombolas, a colônia dos Pretos, como eu ouvia quando criança, se mostra pouco na beira na rodovia, mas ocupa um importante espaço nas terras ponta-grossenses, não somente físico, mas também cultural. Muitos estudos, muita pesquisa por parte da UEPG, conta essa história detalhadamente, e mostra que os Campos Gerais também foram construídos pelo sangue negro, que se encontra semeado nas entranhas de nossas terras, pelos chicotes dos feitores.

          Contrastando de forma nada sutil, o Ponta Grossa Golf Club também está inserido nesse caminho.

          Chegamos aos areais do Rio Tibagi, passamos a cabeceira da pista do aeroporto e somos recepcionados no Cará-Cará.

          Não tenho ideia de quantas vezes passei por esse caminho, mas creio ser capaz de passar por ele de olhos fechados.

          Boa viagem.

Heróis não morrem, são apenas esquecidos

Texto de autoria de Reinaldo Afonso Mayer , professor Universitário aposentado, Especialista em Informática e Mestre em Educação pela UEPG, ...